ALGUMAS PERCEPÇÕES DA VARIAÇÃO LINGUÍSTICA EM UMA COMUNIDADE DE FALA CAMPONESA
UMA BREVE OBSERVAÇÃO DE VIÉS SOCIOLINGUÍSTICO NA COMUNIDADE DO TATU
Palavras-chave:
comunidade do Tatu, homogeneidade, heterogeneidade, variação linguística, campoResumo
O presente artigo apresenta, de forma sucinta, questões teóricas que envolvem a homogeneidade e a heterogeneidade linguística, a fonética e a fonologia, variação diatópica e diastrática, abordando também, discussões que dão enfoque à influência de fatores externos que provocam reflexões a respeito da língua. A discussão é amparada na ótica da comunidade de fala que é defendida, principalmente, dentro da visão da sociolinguística laboviana. Willian Labov, desde a década de 1960, vinha criticando e apresentando um novo olhar a respeito da estrutura das línguas e os fenômenos da variação e da mudança linguística, comprovando a existência de fatores sociais que influenciam a língua. O artigo apresenta também, de forma breve, alguns dados de fala dos moradores da Comunidade do Tatu buscando explicar relações com as teorias gramaticais, por exemplo, o rotacismo do L pelo R e a queda do erre e do ele em fins de palavras. Discute, ainda, conflitos sociais e políticos que marcam historicamente a grande maioria das comunidades camponesas, revelando uma identidade linguística que é socialmente desprestigiada. O lugar (campo), a classe social (pobre) e a escolaridade (baixa), se somados, formam um conjunto de pessoas que é afetado pelo preconceito linguístico e pela desigualdade social.
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