UM CORAÇÃO CRIVADO DE VESPAS
ELEMENTOS DO MELODRAMA EM MATAMOROS (DA FANTASIA), DE HILDA HILST
Palavras-chave:
Hilda Hilst, literatura, melodrama, família, excessoResumo
Os críticos Peter Brooks e Jesús Martín-Barbero concebem a estrutura da linguagem melodramática sob duas óticas. A primeira delas diz respeito àquela que gira em torno do drama familiar; a segunda é relativa à retórica do excesso. Em “Matamoros (da fantasia)”, novela de Hilda Hilst publicada em Tu não te moves de ti, essa dupla figuração faz parte da obra, muito porque as paixões se desenrolam em meio a um parentesco que envolve Matamoros, o homem com quem ela se relaciona, o qual é denominado de Meu, e sua mãe, Haiága; e porque o excesso advém do desmantelamento dessa relação triádica. Uma das justificativas para essa afirmação é de que esse texto de Hilda Hilst está carregado de excessos, ou, conforme indica Brooks, de estados emocionais grandiloquentes que marcam as ações, mas, ainda mais, os pensamentos de Matamoros. Esses estados grandiosos e saturados de paixões passam a dominar o destino da narradora de modo quase trágico, em que vida e sonho se misturam, desejo e desastre se amalgamam. Parto, portanto, desses dois aspectos do melodrama mais clássico para fazer uma leitura da novela hilstiana, a fim de constatar que há nela elementos melodramáticos.
Referências
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