LIVROS LIVRES E A LUTA CONTRA NARRATIVAS ÚNICAS
Palabras clave:
produção editorial, letramentos, livros livres, e-books, tecnologias livresResumen
Esta conferência traz para o debate um conjunto de práticas de produção editorial que envolveu toda uma série de eventos e práticas de letramentos, no esforço não apenas de promover novos letramentos, mas também de refletir sobre as práticas dos sujeitos envolvidos e todo um conjunto de significados próprios de suas culturas, além de levar tudo isso ao debate público por meio de livros digitais (e-books) com licenças livres para distribuição. Refiro-me à produção de livros iniciada em 2017 na Licenciatura em Educação do Campo (LEC), ofertada pela Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (UFVJM). Tais práticas demandam o trato com as tecnologias digitais comuns às produções editoriais do nosso tempo, que muitas vezes não são utilizadas em todo o seu potencial de produção de conhecimento coletivo e compartilhável, a exemplo do que possibilitam as tecnologias livres ou abertas. Assim, softwares livres: são conhecidos por terem seu código aberto - o que possibilita adequações dos softwares aos contextos; podem ser gratuitos; estimulam compartilhamento por meio de suas licenças, o que resulta em trocas e construção de conhecimentos diversos. A partir de tais premissas, chamado os livros produzidos com esses softwares e disponibilizados com licenças livres de compartilhamento como livros livres. Nossa produção já conta com quatro e-books, sendo que dois possuem versões impressas. A ideia de produzir livros livres surgiu, inicialmente, na tentativa de dar um propósito funcional e dialógico à produção textual dos estudantes, bem como democratizar o acesso a narrativas não-hegemônicas. Ou seja: a proposta foi proporcionar práticas sociais com os textos, tal como postulam as teorias dos letramentos. Aliado a tudo isso, temos o desafio de levar nossas vozes, em um processo de desconstrução das narrativas únicas, normalmente eurocentradas, brancas, urbanas, que promovem um olhar monológico e autoritário. Na primeira experiência, os estudantes-autores produziram autobiografias focadas em seus processos individuas de letramentos. A produção foi guiada por questões provocativas temporalmente situadas sobre os gêneros textuais que tiveram contato nos diferentes momentos de suas vidas. De acordo os entendimentos teóricos postos, as atividades propostas foram: (1) escrita/digitação de texto memorialístico a partir de uma reflexão sobre os contatos do estudante com os textos desde os primeiros anos da infância até a educação superior; (2) revisão do material com um editor de textos pelos próprios estudantes; (3) revisão do material produzido pelo professor e impressão; (5) oficina de encadernação livros artesanais; (6) finalização do ebook e compartilhamento do resultado via redes sociais, site e repositório institucional. Após essa primeira experiência com memórias de letramentos, foi produzido um segundo título com a mesma temática, um terceiro que reuniu opiniões sobre questões sociais diversas e um quarto com relatos sobre autoritarismos e colonialidade na educação dos sujeitos. Cremos que estamos conseguindo causar algumas fissuras importantes na lógica dominante de mundo, sobretudo para os sujeitos envolvidos nas experiências relatadas.
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Derechos de autor 2021 Carlos Henrique Silva de Castro

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