UM OLHAR PARA A MILITÂNCIA NO FACEBOOK
A DISCURSIVIZAÇÃO DO(S) ENUNCIADO(S) (ANTI)FEMINISTA(S)
Palavras-chave:
dialogismo, discursivização, facebook, feminismo, militânciaResumo
A internet e as mídias digitais, cada vez mais presentes em nossas vidas, têm instituído uma nova forma de elaborarmos/recepcionarmos discursos. Tendo em vista a pertinência do tema e considerando que se faz necessário pensarmos nas prerrogativas que o uso da língua(gem) associado às tecnologias digitais pode trazer para a nossa sociedade, tencionamos analisar a materialização do discurso nessas mídias digitais. Mais especificamente, lançamos um olhar sobre a discursivização do(s) enunciado(s) (anti)feminista(s) em posts de Facebook, website de alto alcance e que conta com diversas formas de interação. Nosso objetivo é investigar como os discursos dialogam entre si, percebendo as vozes sociais que ecoam deles e a(s) relação(ões) dialógica(s) que se estabelece(m) entre o conteúdo de posts de Facebook e seus comentários. Os dados foram analisados a partir da arquitetônica e do dialogismo bakhtiniano. Em vista disso, utilizamos como aporte teórico do trabalho as assertivas de Bakhtin e seu Círculo (1997; 2012; 2014) acerca da teoria da análise dialógica do discurso (ADD) e as contribuições de Cortes (2015) e Grigoletto (2011) sobre o espaço virtual. Verificamos que a enunciação nas mídias digitais entrega muito mais ferramentas de feitura/recepção de discursos aos seus enunciadores/interlocutores. Confirmamos que o Facebook conta com uma base sociocultural extremamente produtiva para estudos de Linguagem e(m) Sociedade. Concluímos, também, que nossas palavras não “tocam” as coisas, mas entranham-se na camada de discursos sociais que revestem as coisas, uma vez que o dialogismo é resultado de um embate de vozes, algo que ocorre com frequência nas mídias digitais.
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