MECANISMO DE FILTROS-BOLHA SOB A ÓTICA DOS POSTULADOS TEORICOS DO CIRCULO DE BAKHTIN
Palavras-chave:
Círculo de Bakhtin, filtros-bolha, redes sociais, responsividadeResumo
Este artigo discute o mecanismo de filtros-bolha em redes sociais digitais a partir do conceito de responsividade, um importante postulado teórico do Círculo de Bakhtin. Para tal, partimos da compreensão de que a responsividade, nos estudos bakhtinianos, constitui o entendimento de que o sujeito se posiciona em relação a determinado discurso após compreendê-lo e essa compreensão é sempre ativamente responsiva (Bakhtin, 1997). A partir dessa noção, esta investigação, de natureza bibliográfica, analisa duas pesquisas relacionadas a campanhas de desinformação no contexto das eleições presidenciais brasileiras, buscando, assim, compreender como o mecanismo de filtros-bolha (Pariser, 2012) se relaciona à dinâmica da desinformação, onde este consiste no processo de ultrapersonalização da experiência dos usuários nas redes sociais digitais, pelo qual elas recomendam a cada usuário aquilo que consideram mais relevante a ele, personalizando a experiência individual do usuário a partir do modo como este se engaja em determinada rede social (Bentes, 2019). Nesse aspecto, a extrema personalização dos serviços online atua no sentido de produzir bolhas sociais, nas quais os indivíduos passam a ter cada vez menos contado com vozes discursivas divergentes. Em suma, o mecanismo de filtros-bolha promove um espaço de circulação de um discurso homogêneo, onde o sujeito, ao produzir o enunciado e esperar a resposta do outro, sabe que seu próprio posicionamento será reforçado, o que potencializa os falsos consensos e as posições políticas polarizadas no cenário eleitoral.Referências
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